CAPÍTULO 41 - LAMENTOS DE UM ANTIGO MAL
Tee Hawk, em sua busca por Vulluin e Faifh, seus compatriotas, acaba percorrendo quase toda Vaera apenas para receber notícias de Kira que não se apresentam muito animadoras. A feiticeira antípoda do deserto havia descoberto enfim o paradeiro dos de seus amigos. Eles estavam dentro das muralhas do castelo púrpura, lar dos dragões de Vaera, exército real. No entanto, tentar resgatá-los naquele momento seria impossível haja visto que a fortaleza era protegida por um bruxo que apenas Kira poderia derrotar com seus poderes mágicos. Assim, entristecido por mostrar-se impotente frente ao mago e da impossibilidade de salvar seus amigos por meios não-mágicos, Tee Hawk tem a brilhante ideia de buscar ajuda mágica de Ty, espírito do fogo que mora agora no vulcão que havia dentro do deserto dos sete infernos. Dessa forma, resoluto em conseguir algum poder que pudesse fazer frente ao poderoso mago que lidava dentro das muralhas do castelo púrpura, Tee Hawk se despede de Sewire e Kira e parte com Beltrão até o deserto dos sete infernos.
Durante a viagem, mais solitária e silenciosa do que de costume, Tee Hawk e Beltrão se adentram numa espécie de floresta morta que antecedia a cidadela de Edendar, famosa por suas fontes de água mineral. Aparentemente um grupo de camponeses armados de paus e ciscadores de feno buscavam uma jovem desaparecida sob o nome de Arwia. Logo ambos elfo e halfling se prontificam a ajudar a encontrar a jovem, porém não sem antes alguma reclamação do pequenino Beltrão. A busca parece sem fim até que ambos chegam num jardim ressacado e lá o que encontram é um Gibbering Mouther, criatura feita de pedaços de suas vítimas os quais murmuram agonia e desespero. Aquela criatura era obra de um mago repleto de ressentimento e Tee Hawk sabia disso pois ouviu dos mais antigos de sua tribo coisa semelhante.
Dessa forma, sem hesitar, o selvagem elfo desfere pesados ataques contra a carne imunda do monstro até que ele decide usar seu golpe mais forte. Gibbering Mouthers são conhecidos por lançarem suas vozes malditas dentro da cabeça das vítimas as fazendo perder o juízo se tornando assim presas fáceis para eles. No entanto, todo treinamento recebido na luta contra Ardax e o dragão de gelo fizeram Tee Hawk totalmente imune ao poder do monstro. O elfo era tal qual uma rocha esperando para aplicar o golpe final no terrível monstro. Não havia outro desfecho, a aberração não era páreo para Tee Hawk e logo começou a se desfazer em gritos de dor e sofrimento pelo chão. No entanto, no meio dos restos mortais, mementos e pertences da jovem moça que procuravam, Arwia, pareciam cintilar junto com seus olhos violetas pelo chão putrefacto. Era um amargo destino para uma camponesa tão doce.
Depois de dar as duras notícias ao grupo de camponeses, com pesar no coração, Tee Hawk e Beltrão partem para seu destino. Porém, logo ao saírem da floresta algo capta a atenção do abelhudo halfling. Era uma passagem secreta numa escotilha que dava para o laboratório de um mago em seu subsolo. Certamente deveria ser o laboratório do mago que criou aquela aberração derrotada minutos atrás. No local, vários tubos de ensaio e pipetas enfeitavam o local. Esquifes de vidro contendo líquido viscoso serviam de experimentos macabros com corpos humanos. Não se tratava de um mago comum, era um necromante. Tee Hawk, então, lamentava não ter trazido Sewire ou Kira até ali. Beltrão, por sua vez, acha um grande cristal no qual uma bonita maga elfa estava aprisionada. Seu nome era indecifrável a julgar pelos papiros de estudos jogados pelo chão. Alguém, talvez o dono do laboratório, estava totalmente obcecado pela bela elfa. Possivelmente devia ter dedicado os últimos meses de sua vida apenas para tirá-la de lá, o que aparentemente não havia rendido frutos. Nem mesmo os golpes de Trassalor pareciam fazer qualquer arranhão na estrutura do "caixão" da elfa. Beltrão logo adverte Tee Hawk que aquela moça não era bom presságio.
Beltrão: Vamos em boa hora daqui, Tee! Esta mulher é maldita!
Tee Hawk: Nah! Temos que salvá-la!Ela precisa de nós outros!
Beltrão: Mira os papiros no chão! Não consigo ler, mas vejo que ela parece ser pedra ruim! Não vês? Tem um motivo pra essa praga dessa mulher ter sido aprisionada e não quero saber o que é!
Tee Hawk: Bom, se ele, o mago, não conseguiu abrir, então nós também não. Mas quer saber? Ty pode saber como! Vamos nessa!
Assim, com a promessa de ajuda de Ty em seus corações, ambos continuam sua jornada até o deserto dos sete infernos, local onde o próprio Tee Hawk havia ido meses atrás com Sewire se livrar da flâmula congelada. No meio do caminho, ambos decidem passar a noite na agradável vila de Orgba, lugar pacato e bucólico. A hospitalidade do povo de Orgba parecia encher não apenas seus corpos com energia mas seus corações também. Tee Hawk e Beltrão aprendem muitas coisas ao redor da fogueira dos aldeões desde a grande lenda do povo pantera até o grande reino flutuante de Zeal. Viajar pelo mundo e conhecer novas pessoas parece ter acendido uma fagulha que há meses estava apagada em Tee Hawk, afinal tudo que conhecia nos últimos anos eram lutas contra dragões e magos. Por mais uma vez, em meio à visão da noite estrelada de Dendramol, Beltrão e Tee Hawk adormecem sob o manto brilhante do céu de Krinah.

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