Thursday, October 15, 2020

CAPÍTULO 40 - SKULLA



 Capítulo 40 - Skulla

Enquanto Tee Hawk procura por Faifh e Vulluin pelas ruas da grande cidade de Vaera, Kira se apronta para o jantar com o lanista Yzan. Ela sabia que esta seria a chance perfeita para adquirir informação e influência na cidade, tanto para ela quanto para a cidadela. Na festa, Wal'Kira seria apresentada às pessoas mais influentes de Vaera, ao rei, aos políticos e mercadores. Dessa forma, sabendo que, além de tudo, poderia obter informações sobre seus amigos da Esmeralda, Kira e Sewire partem para o jantar. Um ambiente requintado e repleto de conversa fiada não era local para um homem como Tee Hawk. Kira sabia que a intriga não fazia parte do DNA do selvagem elfo e, dessa forma, o deixou na segurança das ruas de Vaera.

As amas pagas com o dinheiro de Kira enfeitavam seu corpo com um belo vestido longo que deixava bem à mostra seus voluptuosos seios. Seus cabelos encaracolados balançavam com graça enquanto seus lábios, bem vermelhos de batom, encarnavam o resto de sua beleza estonteante. Ao término de seus preparos, Kira era a visão da própria Krina de negros cabelos. A carruagem que a levava era igualmente requintada e logo lhe deixaria frente a frente com as pessoas mais influentes da cidade de Vaera. 

O jardim da casa do lanista Yzan fazia jus à sua reputação de homem rico. O local era todo ornado em mármore e possuía complexas vinhas perfumadas de dente vermelho, uma rosa muito bem cheirosa encontrada no reino. Uma grande mesa prenunciava um imenso e farto banquete que se iniciava da ponta da mesa até o outro lado. Todas as iguarias mais caras eram disponíveis na mesa de Yzan. Faisões, javalis nobres, frutas do conde, pêssegos e uvas silvestres completavam o requintado banquete. 

Em meio a frivolidades e conspiração velada, Kira finalmente tem com Yzan e também acaba conhecendo a majestade real de Vaera, o rei Firon. Firon Mallor III era um nobre de nascença e estava ali cumprindo uma guerra iniciada por seus antepassados. O fim da guerra havia chegado e Firon havia conseguido o que seus antecedentes não haviam logrado êxito: unir todas as tribos e condados de Vaera sub uma única bandeira. Agora Vaera era um reino devidamente constituído e a pessoa por trás disto era ninguém menos do que Zelasny, o patrulheiro. Zelasny havia passado muitos meses no front de batalha junto a Firon no intuito de acabar com a guerra sangrenta que se alastrava por aquelas terras. O que Zelasny não poderia prever era que Firon logo se transformaria num déspota odiador de elfos. 

Durante a guerras entre os condados, a guerra dos sete como ficou conhecida, a esposa de Firon, Lady Julie Damascan, acabou morrendo. Em função disto, é dito que Firon passsou a odiar a raça élfica inteira passando a editar a lei conhecida como "ato de fogo", que condenava qualquer elfo que pisasse em Vaera à fogueira ou escravidão. Decepcionado com os descaminhos que o rei Firon passsou a trilhar, Zelasny, não concordando com tão déspota postura, deixa o reino na função de general para nunca mais voltar. Esta é a história de Firon Mallor III, o primeiro rei de Vaera.

Em meio à festa, Kira percebe durante a luta de gladiadores que ali tomava cena para o deleite particular dos convidados, que a aura tanto da majestade quanto do lanista pulsavam de forma diferente. Brilhava o brilho escuro dos acordos dos demônios do submundo - e isto Kira sabia muito bem o que significava. Ela tinha certeza que ambos rei e seu capacho escondiam um segredo terrível debaixo de suas mentiras e língua leve. Kira percebeu isso projetando-se para fora de seu corpo num poder que recentemente havia desenvolvido. Aliás, desde a transmigração, evento que marcou o primeiro cataclismo, Kira havia mudado. Hoje era um dia no qual ela mudaria mais um pouco.

Ao projetar-se para fora do seu corpo, Kira percebeu, de fato, algo demoníaco rondando a majestade e lanista de forma irremediável, era a cor da morte que coloria suas auras. É nesse momento que um ser cadavérico e vestido de robe e espada, interrompe Kira vindo da escuridão da noite.

Skulla: Boa noite, Antípoda.

Wal'Kira: Quem é você, criatura da noite?

Skulla: Sou seu cetro de Netheril. Me chame de Skulla.

Wal'Kira: Skulla?!

Skulla: Sou a tênue linha entre vida e morte, não podendo estar aqui nem ali. A deusa me fez para ser o porteiro da morte e minha função é estar nesse limbo.

Wal'Kira: Você é meu patrono warlock?

Skulla: Sou o emissário, o patrono e teu pior pesadelo.

Wal'Kira: Por quê eu?

Skulla: Porque a Deusa assim o quis e contra ela você não é nada além de pó. Você é a única mortal que terá contato e estará em ressonância com Skulla! Por hora, podes vir até "o limbo" que é onde estás nesse momento. Usa o [inferno storm] quando fores banir alguém que assim mereça. Não te esqueças disto: a balança entre o bem o mal em ti deve estar em equilíbrio, portanto não abuses!

Assim, como num passe de mágica, Kira volta à realidade apenas para perceber que seus poderes e ligação com o submundo parecem estar cada vez mais irreversíveis. O quão fundo Kira iria descer no inferno? Será que a essência de Lathander a havia deixado? Eram perguntas que se acumulavam na vida da bela feiticeira e permaneceriam em aberto. Kira, então, depois de fazer amizades e conexões com todos ali, deixa a festa na promessa falsa de vender elfos para Yzan e Firon no dia seguinte, dentro das muralhas numa reunião secreta. Kira sabia que algo de errado estava acontecendo dentro dos muros do castelo e apenas essa visita poderia trazer as respostas para suas perguntas e mais: o paradeiro de seus amigos Faifh e Vulluin.

De volta à estalagem da tartaruga Kira observa Tee Hawk e Sewire dormirem em suas camas enquanto ela balança numa cadeira à luz do luar prateado da madrugada de Vaera. A luz entrava pela janela do segundo andar da estalagem enquanto ela mirava o movimento quase nulo das ruas da cidade enquanto seu olhar contemplativo buscava respostas que jamais viriam na imensidão da noite. Ela se concentra mais uma vez em busca de encontrar seus amigos através de sua projeção astral e, dessa forma, fecha os olhos de novo.

Ao sair de seu corpo, Kira percebe e entende o porquê de não conseguir ir muito longe com sua projeção astral. Ela estava ligada a uma espécie de cordão umbilical que a impedia de sair vagando pelo mundo. Kira sabia que o corte do cordão implicaria em sua perdição no mundo de Skulla. Aquele fio era o que mantinha sua humanidade. No entanto, mirando para o castelo real em sua imponência de pedras e mármore, Kira observa algo que a choca. Era Vulluin e Faifh sofrendo agrilhoados dentro do castelo sob um olhar escaldante de um mago que possuía os mesmos poderes projetivos que ela. Ele desfere um raio mortal de fogo a partir  de seus olhos em direção à Kira, que volta a si dentro da taverna. "Volte de onde veio, feiticeira, ou vai encontrar a morte do fogo escaldante se interferir". Kira engole a saliva nervosamente e cerra os punhos. Ela sabia que aquele inimigo era essencialmente dela. Ninguém poderia vencer um bruxo daquela magnitude, apenas outro warlock. Dessa forma, tomada pela preocupação e pelo espírito de luta iminente, Kira pega seu Skulla para uma intempérie que não podia ser evitada: o castelo de Vaera.




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