CAPÍTULO 38 - A SEA OF FALLEN STARS
Enquanto Tee Hawk foi investigar por conta própria o sumiço de Faifh Legwyn e Vulluin One'el, Sewire decide ensinar os caminhos do domínio das energias conflitantes na mente perturbada de Kira...
Sewire: "Vamos, Kira! É preciso mais do que isso para dominar as energias que fluem no seu corpo!"
Wal'Kira: "Arrrrrrrrrgg!" - A feiticeira grita de dor enquanto tenta controlar as energias negras e prateadas que agora coexistiam desde sua transmigração no cataclismo ocorrido no ano passado...
Sewire: "Isto mesmo!, sinta as forças penetrarem o tecido de mana que existe dentro do seu corpo."
O druida pássaro agora via de perto algo que ele jamais tinha presenciado: uma mortal com a semente de duas divindades dentro de si. Sewire sabia que os warlocks possuíam sementes naturais e pactos de sangue com seus patronos e muitas vezes essas entidades possuíam atributos divinos. Até este ponto, não havia novidade. Entretanto, Kira recebeu o mácula do Antigo Mal e os estigmas de Krina no momento que entrou em Dendramol. Era uma coisa que ele nunca havia ouvido falar, uma mortal com energias confrontantes do bem e do mal dentro de si. Estava claro que sua experiência em transcender a morte seria útil em guiar Kira para a coexistência com seu novo poder.
Os dois permaneciam na posição de lótus meditando enquanto Sewire entrava na mente da feiticeira para orientá-la. Sewire estava dentro da mente de Kira e o que ele via lá era uma consciência em extrema dor por ter que viver com essas energias dentro de si. O pináculo do acúmulo de energia estava no limiar e talvez os resultados fossem desastrosos...
Sewire: "Oiça, Kira. Tu estás deixando de ser meramente uma mortal e tampouco está se transformando numa entidade divina"
Wal'Kira: "..."
Wal'Kira: " A dor, a dor!" - Se contorcia a feiticeira
Sewire: "Estás a te tornares uma coisa que não é nem uma coisa nem outra. Dessa sorte, não tentes controlar essas forças pois elas, em verdade, fazem parte de ti!"
Wal'Kira: "Parte de mim!?"
Sewire: "Olha este inseto que corre nesta terra chã. " Sewire pega uma minhoca amêndoada, inseto que se funde aos galhos secos que ficam pelo chão.
Sewire: "Ele não tenta controlar os galhos que estão ao seu redor, mas fazer parte deles. Seja uma coisa só com teus estigmas pois não podes ousar controlá-los. Você não é maior que a vida, mas parte dela!"
Assim, num ato reflexo, o corpo de Kira se enche de eletricidade de raio de bruxa e ela se coloca em pé. Seus cabelos negros esvoaçam com a energia que flui de seu voluptuoso corpo e ela fecha os olhos, cerrando e franzindo a testa numa clara tentativa de irromper o poder que agora corria dentro de si. Os olhos de Sewire se abrem um pouco mais do que o normal de surpresa e ele vê sua amiga fluir uma energia incomensurável. Algo estava diferente. Kira, de súbito, explode energias para todos os lados e tudo o que a feiticeira consegue pensar é num mar de estrelas cadentes....
Nesse momento, ambos Sewire e Kira aparecem no meio das estrelas do céu, como se algo incrivelmente divino os houvesse levado até lá. Kira olhava para todos os lados como se não estivesse entendendo nada do que estava acontecendo. Sewire, mesmo impressionado com os feitos de Kira, coloca a mão no queixo, fecha os olhos contemplativo e finalmente descobre o que havia se passado. Warlocks recebem um grande poder de seus patronos em determinado momento da vida e parecia ser esse o caso com a bela feiticeira antípoda. Era o Arkanum! Poder recebido quando finalmente o feiticeiro atingia um nível de consonância com seu patrono.
Sewire: "Muito bem, Kira!"
Wal'Kira: "O que se passou por aqui, Sewire?! Tu fostes o responsável por isto, pois não! Fala, homem!
Sewire: "Você finalmente entendeu seus poderes, Kira. Este é teu Arkanum!
Wal'Kira: "Tudo que pude pensar foi nessas estrelas do céu..... Vamos voltar."
Kira, quando adolescente, olhava as estrelas pulsantes e prateadas da noite de Calimsham quando lá morava e estas são suas melhores memórias. A noite estrelada de Calimport era um espetáculo de encher os olhos. Ela cruzava seus braços atrás da cabeça no telhado da casa do velho Al-Nazer em companhia de sua amiga Anna e as duas observam o mar de estrelas cadentes das areias do deserto. Kira havia desenvolvido o poder do banimento, o que lhe permitia se transportar para qualquer plano, local ou dimensão da existência. A partir de agora, certamente, seus inimigos poderiam tremer.
De volta à sua cama, Kira abre lentamente os olhos em sua cama de palha na choupana nos arredores da Cidadela da Esmeralda. Ao seu lado encontrava-se um calmo e compenetrado Sewire, que lia "Os caminhos da Alquimia, por Dondor Woodel".
Wal'Kira: "Tudo fora um sonho, Sewire?"
Sewire: "Temo que não, antípoda. Use seu poder com sabedoria, pois, como podes ver, acaba com tua energia perigosamente te levando ao desmaio. Teu corpo ainda é mortal, lembra-te disso."
Sewire descruza as pernas da cadeira do quarto de Kira onde estivera velando o sono da moça pelas últimas 24 horas e braveja sua fala final; "Tee Hawk foi-se sozinho para Vaera, o reino dos homens. Vamos ajudá-lo."
Dessa forma, depois de uma breve conversa com o velho Lisanthyr e Drusilla, ambos viajam até Vaera em busca do matador de dragões. Ao chegarem até lá, o que enxergam é uma cidade fervilhando como um formigueiro pois, ao que tudo indicava, um festival tomava-se parte. Seria impossível encontrar o selvagem no meio daquela bagunça. Vaera era conhecida por caçar elfos impiedosamente, talvez devido a isso, Kira e Sewire pudessem ter alguma facilidade de achar Tee Hawk. Afinal, Tee Hawk não era um elfo que passaria em branco pelas vistas de alguém. Assim, ambos feiticeira e druida, procuram pelo mercado lotado da cidade seu amigo. O cheiro das ruas era forte, as pessoas riam, conversavam, choravam, gritavam. Mercadores bravateavam, artistas cantavam, velhas senhoras reprovavam jovens senhoras que se insinuavam para os estivadores e leiloeiros vendiam escravos. Assim era o mercado de Vaera, uma cidade tão grande quanto Waterdeep.
Sewire: "Nunca acharemos Tee Hawk nessa bagunça..."
Wal'Kira: "Ânimo, homem. Um elfo brigão daquele jeito não passaria sem deixar rastros. É só seguir o rastro de destruição"
Nesse momento, algo rouba a atenção de Kira e Sewire. Um leiloeiro negociava três elfos seminus, de tangas e amarrados a correntes em seus pescoços, como cachorros sarnentos que alguém agrilhoava no quintal de casa e jogava ossos no final do dia. Seu semblante era de dor e sofrimento. Claramente aqueles escravos foram pegos de Dumebarian, floresta próxima dali e casa atual da Cidadela da Esmeralda. "Venham logo! Este lote está especial! São 15 peças de ouro! São três elfos por apenas 15 peças! Uma Pechincha!". Aquilo revoltava os corações de Kira e Sewire que logo tratam de comprá-los para extinguir suas dores. No entanto, algo interrompe as negociações. Era um homem de olhar faceiro e galanteador, quase como um malandro de porto. Certamente algo que não impressionaria uma mulher inteligente como Wal'Kira. O homem se aproxima e fala: "Deixe que eu pago, minha senhora. Estes são presente de Yzan, o maior lanista de Vaera"
Yzan: "Vejo que a senhorita é alguém importante e que, claramente, também trabalha com gladiadores"
Wal'Kira: "..."
Yzan: "Esses eu pago por gentileza, milady. Vou mandar meus homens escoltar você e seu criado a minha casa à noite para um jantar. Acho que poderemos fazer excelentes negócios.
Wal'Kira:" Sim, verei o que posso fazer. O senhor é muito gentil"
Yzan: "Haverá uma luta até a morte depois do jantar apenas para convidados e estarei apresentando meu campeão invicto Kelmaris, o bárbaro. Ele nunca perde. Venha e lá teremos com mais calma. Até a noite então, milady"
O homem deixa os dois e Kira agora possuía três escravos libertos. Sem demora, Sewire e Kira levam os três até um beco para lhes soltar das amarras. Eles lhes dão os nomes de Aias, Olarel e Tysiris. Eles diziam que vinham de Dumebarian e que caçar elfos era normal no reino. Uma rixa muito grande existia entre o monarca dali e os elfos da floresta, o que ocasionou a edição de uma lei que permitia tornar escravo qualquer elfo que em Vaera pisasse. "Minha senhora, obrigado por salvar-nos. Temos uma irmã tambem de nome Yesanith. Ela foi vendida como prostitua no mercado de Dabady. Temos que salvá-la também.". Nesse momento, de surpresa, Sewire e Kira são atacados por um halfling bonachão e um homem com cicatrizes no rosto. Eles tentam roubá-los mas vêem que não seria uma boa ideia ao verem as armas mágicas de ambos.
Vulmon: "Zaos, segure sua adaga, imbecil!"
Zaos: "Meu senhor, eles estão com o rabo cheio de moedas! O senhor viu no mercado!
Vulmon: "Eles são poderosos. Olhe as armas mágicas deles, seu tolo ganancioso"
Zaos: "er.... errr...... Passa a grana logo pra cá, gostosona! E Você, menino feio e estranho, passa tudo pra cá logo! hehe!"
Nesse momento, um homem interrompe o diálogo em cima de um dos telhados no beco no qual todos estavam. Parecia ser outro ladrão, aparentemente do mesmo bando de Vulmon. "Você é medroso, Vulmon, o mestre vai adorar saber que você deixou dois ricaços sair de suas vistas sem levar nenhuma moeda deles. Preparem-se, vermes, vão todos morrer! yaaaaaa!". O homem pula do telhado tomado pela coragem e ganância e investe contra Kira e Sewire quando, sem pestanejar, algo intenso acontece. Kira, usando seus poderes mágicos, prende o homem desgraçadamente contra a parede e tudo que se passou depois foi o fedor de sua urina deixando sua calça. Tomado pelo medo, o homem e todos presentes apenas vêem o poder descomunal de Wal'Kira: "Vá-se embora e reze a todos os deuses que não lhe veja mais ou limpar a calça será a menor das suas preocupações"
Dessa forma, tanto Vulmon quanto Zaos começam a repensar sua vida numa fração de segundos...
Vulmon: "Errrr bom, acho que está na hora da gente ir embora. Tchauzinho, princesa linda e poderosa. Desculpe, tá? Tchau Tchau!
Zaos: "Eu só queria dizer que, na verdade, queríamos desejar boa sorte pra vocês, sabe. Olha sua calça tá sujinha aqui, ai meu deus..."
Wal'Kira: "Tire a mão de mim..."
Zaos: "Krina e Bifuz! Raios e relâmpagos! Perdão, minha senhora! ai!"
Sewire: "Queremos saber de um elfo forte, alto e com pinturas de guerra no rosto. Seria difícil alguém assim passar batido por vocês"
Vulmon: "Ah, Sim. Realmente. O tipo era cheio de músculos, certo? Inusitado para um elfo. Nós o vimos da taverna da tartaruga. Ele está se metendo com um bando que não gostamos muito, uma tal de "fraternidade". Não é difícil. Basta seguir a fonte a calçada do rei depois da praça das caravanas e você vai ver uma grande taverna com uma figura de uma tartaruga no seu pórtico.
Sewire: "Agradecido, senhor Vulmon"
Vulmon e Zaos: "Desculpa qualquer coisa, hein?"
Balançando a cabeça num misto de divertimento pelo espírito bonachão dos dois e pela petulância em achar que poderiam desafiá-los, ambos Kira e Sewire partem para a taverna da tartaruga sem saber o que os estavam esperando. O que terá acontecido a Tee Hawk? Quem era a fraternidade? Onde estão Vulluin e Faifh?