Friday, October 30, 2020

CAPÍTULO 41 - LAMENTOS DE UM ANTIGO MAL

 CAPÍTULO 41 - LAMENTOS DE UM ANTIGO MAL

Tee Hawk, em sua busca por Vulluin e Faifh, seus compatriotas, acaba percorrendo quase toda Vaera apenas para receber notícias de Kira que não se apresentam muito animadoras. A feiticeira antípoda do deserto havia descoberto enfim o paradeiro dos de seus amigos. Eles estavam dentro das muralhas do castelo púrpura, lar dos dragões de Vaera, exército real. No entanto, tentar resgatá-los naquele momento seria impossível haja visto que a fortaleza era protegida por um bruxo que apenas Kira poderia derrotar com seus poderes mágicos. Assim, entristecido por mostrar-se impotente frente ao mago e da impossibilidade de salvar seus amigos por meios não-mágicos, Tee Hawk tem a brilhante ideia de buscar ajuda mágica de Ty, espírito do fogo que mora agora no vulcão que havia dentro do deserto dos sete infernos. Dessa forma, resoluto em conseguir algum poder que pudesse fazer frente ao poderoso mago que lidava dentro das muralhas do castelo púrpura, Tee Hawk se despede de Sewire e Kira e parte com Beltrão até o deserto dos sete infernos.

Durante a viagem, mais solitária e silenciosa do que de costume, Tee Hawk e Beltrão se adentram numa espécie de floresta morta que antecedia a cidadela de Edendar, famosa por suas fontes de água mineral. Aparentemente um grupo de camponeses armados de paus e ciscadores de feno buscavam uma jovem desaparecida sob o nome de Arwia. Logo ambos elfo e halfling se prontificam a ajudar a encontrar a jovem, porém não sem antes alguma reclamação do pequenino Beltrão. A busca parece sem fim até que ambos chegam num jardim ressacado e lá o que encontram é um Gibbering Mouther, criatura feita de pedaços de suas vítimas os quais murmuram agonia e desespero. Aquela criatura era obra de um mago repleto de ressentimento e Tee Hawk sabia disso pois ouviu dos mais antigos de sua tribo coisa semelhante.

Dessa forma, sem hesitar, o selvagem elfo desfere pesados ataques contra a carne imunda do monstro até que ele decide usar seu golpe mais forte. Gibbering Mouthers são conhecidos por lançarem suas vozes malditas dentro da cabeça das vítimas as fazendo perder o juízo se tornando assim presas fáceis para eles. No entanto, todo treinamento recebido na luta contra Ardax e o dragão de gelo fizeram Tee Hawk totalmente imune ao poder do monstro. O elfo era tal qual uma rocha esperando para aplicar o golpe final no terrível monstro. Não havia outro desfecho, a aberração não era páreo para Tee Hawk e logo começou a se desfazer em gritos de dor e sofrimento pelo chão. No entanto, no meio dos restos mortais, mementos e pertences da jovem moça que procuravam, Arwia, pareciam cintilar junto com seus olhos violetas pelo chão putrefacto. Era um amargo destino para uma camponesa tão doce.

Depois de dar as duras notícias ao grupo de camponeses, com pesar no coração, Tee Hawk e Beltrão partem para seu destino. Porém, logo ao saírem da floresta algo capta a atenção do abelhudo halfling. Era uma passagem secreta numa escotilha que dava para o laboratório de um mago em seu subsolo. Certamente deveria ser o laboratório do mago que criou aquela aberração derrotada minutos atrás. No local, vários tubos de ensaio e pipetas enfeitavam o local. Esquifes de vidro contendo líquido viscoso serviam de experimentos macabros com corpos humanos. Não se tratava de um mago comum, era um necromante. Tee Hawk, então, lamentava não ter trazido Sewire ou Kira até ali. Beltrão, por sua vez, acha um grande cristal no qual uma bonita maga elfa estava aprisionada. Seu nome era indecifrável a julgar pelos papiros de estudos jogados pelo chão. Alguém, talvez o dono do laboratório, estava totalmente obcecado pela bela elfa. Possivelmente devia ter dedicado os últimos meses de sua vida apenas para tirá-la de lá, o que aparentemente não havia rendido frutos. Nem mesmo os golpes de Trassalor pareciam fazer qualquer arranhão na estrutura do "caixão" da elfa. Beltrão logo adverte Tee Hawk que aquela moça não era bom presságio.

Beltrão: Vamos em boa hora daqui, Tee! Esta mulher é maldita!

Tee Hawk: Nah! Temos que salvá-la!Ela precisa de nós outros!

Beltrão: Mira os papiros no chão! Não consigo ler, mas vejo que ela parece ser pedra ruim! Não vês? Tem um motivo pra essa praga dessa mulher ter sido aprisionada e não quero saber o que é!

Tee Hawk: Bom, se ele, o mago, não conseguiu abrir, então nós também não. Mas quer saber? Ty pode saber como! Vamos nessa!

MISTERIOSA ELFA CONGELADA

Assim, com a promessa de ajuda de Ty em seus corações, ambos continuam sua jornada até o deserto dos sete infernos, local onde o próprio Tee Hawk havia ido meses atrás com Sewire se livrar da flâmula congelada. No meio do caminho, ambos decidem passar a noite na agradável vila de Orgba, lugar pacato e bucólico. A hospitalidade do povo de Orgba parecia encher não apenas seus corpos com energia mas seus corações também. Tee Hawk e Beltrão aprendem muitas coisas ao redor da fogueira dos aldeões desde a grande lenda do povo pantera até o grande reino flutuante de Zeal. Viajar pelo mundo e conhecer novas pessoas parece ter acendido uma fagulha que há meses estava apagada em Tee Hawk, afinal tudo que conhecia nos últimos anos eram lutas contra dragões e magos. Por mais uma vez, em meio à visão da noite estrelada de Dendramol, Beltrão e Tee Hawk adormecem sob o manto brilhante do céu de Krinah.

Thursday, October 15, 2020

CAPÍTULO 40 - SKULLA



 Capítulo 40 - Skulla

Enquanto Tee Hawk procura por Faifh e Vulluin pelas ruas da grande cidade de Vaera, Kira se apronta para o jantar com o lanista Yzan. Ela sabia que esta seria a chance perfeita para adquirir informação e influência na cidade, tanto para ela quanto para a cidadela. Na festa, Wal'Kira seria apresentada às pessoas mais influentes de Vaera, ao rei, aos políticos e mercadores. Dessa forma, sabendo que, além de tudo, poderia obter informações sobre seus amigos da Esmeralda, Kira e Sewire partem para o jantar. Um ambiente requintado e repleto de conversa fiada não era local para um homem como Tee Hawk. Kira sabia que a intriga não fazia parte do DNA do selvagem elfo e, dessa forma, o deixou na segurança das ruas de Vaera.

As amas pagas com o dinheiro de Kira enfeitavam seu corpo com um belo vestido longo que deixava bem à mostra seus voluptuosos seios. Seus cabelos encaracolados balançavam com graça enquanto seus lábios, bem vermelhos de batom, encarnavam o resto de sua beleza estonteante. Ao término de seus preparos, Kira era a visão da própria Krina de negros cabelos. A carruagem que a levava era igualmente requintada e logo lhe deixaria frente a frente com as pessoas mais influentes da cidade de Vaera. 

O jardim da casa do lanista Yzan fazia jus à sua reputação de homem rico. O local era todo ornado em mármore e possuía complexas vinhas perfumadas de dente vermelho, uma rosa muito bem cheirosa encontrada no reino. Uma grande mesa prenunciava um imenso e farto banquete que se iniciava da ponta da mesa até o outro lado. Todas as iguarias mais caras eram disponíveis na mesa de Yzan. Faisões, javalis nobres, frutas do conde, pêssegos e uvas silvestres completavam o requintado banquete. 

Em meio a frivolidades e conspiração velada, Kira finalmente tem com Yzan e também acaba conhecendo a majestade real de Vaera, o rei Firon. Firon Mallor III era um nobre de nascença e estava ali cumprindo uma guerra iniciada por seus antepassados. O fim da guerra havia chegado e Firon havia conseguido o que seus antecedentes não haviam logrado êxito: unir todas as tribos e condados de Vaera sub uma única bandeira. Agora Vaera era um reino devidamente constituído e a pessoa por trás disto era ninguém menos do que Zelasny, o patrulheiro. Zelasny havia passado muitos meses no front de batalha junto a Firon no intuito de acabar com a guerra sangrenta que se alastrava por aquelas terras. O que Zelasny não poderia prever era que Firon logo se transformaria num déspota odiador de elfos. 

Durante a guerras entre os condados, a guerra dos sete como ficou conhecida, a esposa de Firon, Lady Julie Damascan, acabou morrendo. Em função disto, é dito que Firon passsou a odiar a raça élfica inteira passando a editar a lei conhecida como "ato de fogo", que condenava qualquer elfo que pisasse em Vaera à fogueira ou escravidão. Decepcionado com os descaminhos que o rei Firon passsou a trilhar, Zelasny, não concordando com tão déspota postura, deixa o reino na função de general para nunca mais voltar. Esta é a história de Firon Mallor III, o primeiro rei de Vaera.

Em meio à festa, Kira percebe durante a luta de gladiadores que ali tomava cena para o deleite particular dos convidados, que a aura tanto da majestade quanto do lanista pulsavam de forma diferente. Brilhava o brilho escuro dos acordos dos demônios do submundo - e isto Kira sabia muito bem o que significava. Ela tinha certeza que ambos rei e seu capacho escondiam um segredo terrível debaixo de suas mentiras e língua leve. Kira percebeu isso projetando-se para fora de seu corpo num poder que recentemente havia desenvolvido. Aliás, desde a transmigração, evento que marcou o primeiro cataclismo, Kira havia mudado. Hoje era um dia no qual ela mudaria mais um pouco.

Ao projetar-se para fora do seu corpo, Kira percebeu, de fato, algo demoníaco rondando a majestade e lanista de forma irremediável, era a cor da morte que coloria suas auras. É nesse momento que um ser cadavérico e vestido de robe e espada, interrompe Kira vindo da escuridão da noite.

Skulla: Boa noite, Antípoda.

Wal'Kira: Quem é você, criatura da noite?

Skulla: Sou seu cetro de Netheril. Me chame de Skulla.

Wal'Kira: Skulla?!

Skulla: Sou a tênue linha entre vida e morte, não podendo estar aqui nem ali. A deusa me fez para ser o porteiro da morte e minha função é estar nesse limbo.

Wal'Kira: Você é meu patrono warlock?

Skulla: Sou o emissário, o patrono e teu pior pesadelo.

Wal'Kira: Por quê eu?

Skulla: Porque a Deusa assim o quis e contra ela você não é nada além de pó. Você é a única mortal que terá contato e estará em ressonância com Skulla! Por hora, podes vir até "o limbo" que é onde estás nesse momento. Usa o [inferno storm] quando fores banir alguém que assim mereça. Não te esqueças disto: a balança entre o bem o mal em ti deve estar em equilíbrio, portanto não abuses!

Assim, como num passe de mágica, Kira volta à realidade apenas para perceber que seus poderes e ligação com o submundo parecem estar cada vez mais irreversíveis. O quão fundo Kira iria descer no inferno? Será que a essência de Lathander a havia deixado? Eram perguntas que se acumulavam na vida da bela feiticeira e permaneceriam em aberto. Kira, então, depois de fazer amizades e conexões com todos ali, deixa a festa na promessa falsa de vender elfos para Yzan e Firon no dia seguinte, dentro das muralhas numa reunião secreta. Kira sabia que algo de errado estava acontecendo dentro dos muros do castelo e apenas essa visita poderia trazer as respostas para suas perguntas e mais: o paradeiro de seus amigos Faifh e Vulluin.

De volta à estalagem da tartaruga Kira observa Tee Hawk e Sewire dormirem em suas camas enquanto ela balança numa cadeira à luz do luar prateado da madrugada de Vaera. A luz entrava pela janela do segundo andar da estalagem enquanto ela mirava o movimento quase nulo das ruas da cidade enquanto seu olhar contemplativo buscava respostas que jamais viriam na imensidão da noite. Ela se concentra mais uma vez em busca de encontrar seus amigos através de sua projeção astral e, dessa forma, fecha os olhos de novo.

Ao sair de seu corpo, Kira percebe e entende o porquê de não conseguir ir muito longe com sua projeção astral. Ela estava ligada a uma espécie de cordão umbilical que a impedia de sair vagando pelo mundo. Kira sabia que o corte do cordão implicaria em sua perdição no mundo de Skulla. Aquele fio era o que mantinha sua humanidade. No entanto, mirando para o castelo real em sua imponência de pedras e mármore, Kira observa algo que a choca. Era Vulluin e Faifh sofrendo agrilhoados dentro do castelo sob um olhar escaldante de um mago que possuía os mesmos poderes projetivos que ela. Ele desfere um raio mortal de fogo a partir  de seus olhos em direção à Kira, que volta a si dentro da taverna. "Volte de onde veio, feiticeira, ou vai encontrar a morte do fogo escaldante se interferir". Kira engole a saliva nervosamente e cerra os punhos. Ela sabia que aquele inimigo era essencialmente dela. Ninguém poderia vencer um bruxo daquela magnitude, apenas outro warlock. Dessa forma, tomada pela preocupação e pelo espírito de luta iminente, Kira pega seu Skulla para uma intempérie que não podia ser evitada: o castelo de Vaera.




Monday, October 5, 2020

CAPÍTULO 39 - O TRISTE FIM DE SHENDRUZID

 CAPÍTULO 39 - O TRISTE FIM DE SHENDRUZID

No coração de Vaera, maior cidade de Dendramol, Sewire, Wal'Kira e Tee Hawk estão em busca do paradeiro de Faith e Vulluin, personagens importantes dentro da Cidadela da Esmeralda, lar do povo élfico. Informações levam o grupo até a taverna da tartaruga, onde foi dito que Tee Hawk estaria. Chegando lá, Sewire e Kira não conseguem nenhuma pista de onde o líder da cidadela poderia estar. É provável que Tee Hawk tenha tentado resolver tudo sozinho, como sempre. Sabendo disso, então, Kira e Sewire tentam encontrá-lo antes de o pior acontecer. Tee Hawk era muito explosivo e, numa cidade tomada pela lei marcial contra os elfos, isso seria essencialmente perigoso.

Kira cuida dos três elfos os quais o grupo libertou horas atrás, Aias, Olarel e Tysiris. Ela lhes dá comida e roupas decentes e diz a Sewire que precisa de um tempo de meditação para saber em qual direção seu patrono deveria orientá-la a procurar Tee Hawk. Dessa forma, Sewire começa sua busca pela grande cidade de Vaera. Suas paragens eram majestosas e, talvez, ainda maiores do que a grande cidade das águas profundas. No meio de tanta majestade, algo captura a atenção do sábio pássaro. Era uma arena majestosa no centro da cidade. Suas proporções eram colossais e haviam milhares de pessoas a festejar sedentas pelo sangue jorrado dos gladiadores que furavam a carne um do outro numa diversão medonha para as massas ali presentes. Sewire nota algo estranho rondando as vidas das pessoas daquele lugar. Era uma presença mística gigantesca que se aproximava com intenções de pura morte e destruição. A sombra mística se identificava como Shendruzid e ela dizia que iria acabar com todos em Vaera. 

Shendruzid: Escuta, seja lá quem fores. Não se meta.

Sewire: Eu entendo sua dor...

Shendruzid: Não sabes de nada. Vou acabar com a vida de todos nesta cidade maldita que ceifou minha felicidade.

Sewire: Seja lá quem procura nesta cidade. Já é um morto vivo.

Sewire se referia ao campeão invicto de Vaera, seu nome era Kelmaris - o bárbaro invicto. Kelmaris era um orgulhoso bárbaro que havia perdido a vida para salvar seus compatriotas das garras implacáveis de Vaera. Como um golpe medonho de alguma alma maldosa, Kelmaris havia se transformado numa máquina de batalha sem alma e sem coração vivendo apenas para o deleite de seu novo e misterioso mestre o qual nem mesmo Sewire sabia quem era. Dessa forma, prevendo uma catástrofe para os homens e para a balança neutra da vida e da morte no julgamento de Orobouros, Sewire se transloca até uma terra longínqua e proibida a qual Shendruzid se encontrava.

O local parecia ter sido grandemente amaldiçoado a não tem nenhuma alma viva. Apesar da beleza majestosa de seus vales, cânions, desfiladeiros e templos, uma só alma viva não andava em suas misteriosas paragens. Era como se algum deus tivesse ceifado, de uma hora para outra, a vida do local. É como se toda uma civilização houvesse deixado de existir por algum pecado que cometeram no passado. Parecia algo saído das histórias do velho Lisanhtyr numa noite de contação de lendas na Esmeralda. É nesse local, no alto de uma grande passarela que ligava a terra proibida até o mundo mortal que Sewire tem frente a frente com grandioso dragão meio púrpura, meio negro. Seu nome era Shendruzid. 

 A TERRA PROIBIDA

Sewire: Desista de destruir o mundo dos homens. Eu conheço sua dor e ela só vai gerar mais sofrimento para você.

Shendruzid: Eu vivia feliz ao lado de Kelmaris até que ele foi tomado de mim. Desisti de meu dom dracônico para viver como uma mulher mortal a seu lado até que os homens tiraram ele de mim.

Sewire: Matar todos ali não vai trazer Kelmaris de volta.

Shendruzid: Mas me trará satisfação! Eu estava perdida até que Andareunarthex me mostrou o caminho. Agora eu sei o que devo fazer para conseguir minha vida de volta.

Sewire: Andareunarthex é uma fraude, Shendruzid. Ele é enganador e venenoso como suas escamas verdes. Acorde antes que seja tarde. No final, você está sendo apenas uma peça no tabuleiro dele para suas ambições de vingança.

Shendruzid: Ele me disse que se um meio elfo, um caçador de dragões, uma mulher ou um patrulheiro cruzasse meu caminho, eu deveria matá-los... 

Sewire: Está cometendo um erro. Eu não quero lutar contra você. Eu não quero matar você.

Shendruzid: Ao menos eu estarei ao lado de Kelmaris!

Dessa forma, com o sibilar da terra proibida soprando o vento no rosto de Sewire, uma luta implacável irrompe. Shendruzid cuspia um sopro de terra e pedras que atingiam Sewire com força e violência. As vinhas que protegem o druida, pelo menos por hora, o salvavam de graves ferimentos. Sewire atacava com seus poderes da natureza da melhor maneira que podia no meio da imensidão daquela passarela que foi a arena da luta contra aquele dragão. Cada ataque do dragão parecia estremecer a terra. De alguma forma o poder mágico de Shendruzid parecia estar ligado à força terrena. Seus ataques abriam fendas no chão e terremotos chacoalhavam a terra proibida a cada investida sua. Sewire já havia se machucado muito a esta altura e suas vinhas já não poderiam lhe proteger por muito mais tempo. Era chegada a hora do momento final. 

Shendruizid, resoluta, prepara o ataque final. Sewire abre os olhos com surpresa pois sabe que aquele pode ser seu fim. O ataque de Shendruzid provoca o desmoronamento não apenas da passarela, mas de toda a estrutura de pedra que havia ao redor daquele templo e tudo cai no seu frágil corpo. Vendo seu fim iminente, o jovem druida também desfere seu ataque mais mortal e investe um grande ataque energético contra Shendruzid. Era o fim de ambos, soterrados em baixo das pedras da terra proibida. No entanto, as pedras se mexem e o corpo de Sewire se ergue ainda com vida indo em direção a uma Shendruzid que agora tinha uma forma humana.

Sewire: ...

Shendruzid: Perdoe-me, Sewire. Agora eu posso estar ao lado de Kelmaris

Sewire: Eu cuidarei para que sua alma chegue até os braços da Deusa e cumprirei teu desejo de fazer com que Andareunarthex pague pelo mal que fez.

Shendruiz segura firme e arrependida a mão de Sewire que a transforma em uma de suas cartas, encerrando seu triste fim. Quantos mais seriam joguetes nas garras de Andareunarthex? Quantos mais deveriam pagar com a vida? Contemplando o triste partir de Shendruzid, Sewire se aproxima da arma mágica cristálica do dragão e a coloca nas costas. Era Ferocities Edge, uma das espadas lendárias dos seguidores da Falange.

De volta à Vaera, Sewire finalmente encontra Tee Hawk e lhe explica tudo o que aconteceu na sua ausência. Dessa forma, ambos Tee Hawk e Sewire partem para encontrar Faifh e Vulluin. Seus esforças lhes levam tanto à informação de um nobre chamado Azzor e de um lanista chamado Yzan. Ambos iriam estar presentes no jantar de gala o qual Kira havia sido convidada no dia anterior quando entraram pelos portões de Vaera. 

Dessa forma, resolutos em achar o paradeiro de seus amigos, Kira, Tee Hawk e Sewire se preparam para o jantar na casa do misterioso lanista Yzan. Qual será a parte de Yzan nesta trama? E lorde Azzor? Por que fazia jogos bizarros com aventureiros? O que era a grande arena de Vaera? Qual a ligação deles com Shendruzid? São respostas que logo encontrariam suas respostas no coração de Vaera.




Friday, October 2, 2020

CAPÍTULO 38 - UM MAR DE ESTRELAS CADENTES

 

CAPÍTULO 38 - A SEA OF FALLEN STARS

Enquanto Tee Hawk foi investigar por conta própria o sumiço de Faifh Legwyn e Vulluin One'el, Sewire decide ensinar os caminhos do domínio das energias conflitantes na mente perturbada de Kira...

Sewire: "Vamos, Kira! É preciso mais do que isso para dominar as energias que fluem no seu corpo!"

Wal'Kira: "Arrrrrrrrrgg!" - A feiticeira grita de dor enquanto tenta controlar as energias negras e prateadas que agora coexistiam desde sua transmigração no cataclismo ocorrido no ano passado...

Sewire: "Isto mesmo!, sinta as forças penetrarem o tecido de mana que existe dentro do seu corpo." 

O druida pássaro agora via de perto algo que ele jamais tinha presenciado: uma mortal com a semente de duas divindades dentro de si. Sewire sabia que os warlocks possuíam sementes naturais e pactos de sangue com seus patronos e muitas vezes essas entidades possuíam atributos divinos. Até este ponto, não havia novidade. Entretanto, Kira recebeu o mácula do Antigo Mal e os estigmas de Krina no momento que entrou em Dendramol. Era uma coisa que ele nunca havia ouvido falar, uma mortal com energias confrontantes do bem e do mal dentro de si. Estava claro que sua experiência em transcender a morte seria útil em guiar Kira para a coexistência com seu novo poder.

Os dois permaneciam na posição de lótus meditando enquanto Sewire entrava na mente da feiticeira para orientá-la. Sewire estava dentro da mente de Kira e o que ele via lá era uma consciência em extrema dor por ter que viver com essas energias dentro de si. O pináculo do acúmulo de energia estava no limiar e talvez os resultados fossem desastrosos...

Sewire: "Oiça, Kira. Tu estás deixando de ser meramente uma mortal e tampouco está se transformando numa entidade divina"

Wal'Kira: "..." 

Wal'Kira: " A dor, a dor!" - Se contorcia a feiticeira

Sewire: "Estás a te tornares uma coisa que não é nem uma coisa nem outra. Dessa sorte, não tentes controlar essas forças pois elas, em verdade, fazem parte de ti!" 

Wal'Kira: "Parte de mim!?"

Sewire: "Olha este inseto que corre nesta terra chã. " Sewire pega uma minhoca amêndoada, inseto que se funde aos galhos secos que ficam pelo chão.

Sewire: "Ele não tenta controlar os galhos que estão ao seu redor, mas fazer parte deles. Seja uma coisa só com teus estigmas pois não podes ousar controlá-los. Você não é maior que a vida, mas parte dela!"

Assim, num ato reflexo, o corpo de Kira se enche de eletricidade de raio de bruxa e ela se coloca em pé. Seus cabelos negros esvoaçam com a energia que flui de seu voluptuoso corpo e ela fecha os olhos, cerrando e franzindo a testa numa clara tentativa de irromper o poder que agora corria dentro de si. Os olhos de Sewire se abrem um pouco mais do que o normal de surpresa e ele vê sua amiga fluir uma energia incomensurável. Algo estava diferente. Kira, de súbito, explode energias para todos os lados e tudo o que a feiticeira consegue pensar é num mar de estrelas cadentes....

Nesse momento, ambos Sewire e Kira aparecem no meio das estrelas do céu, como se algo incrivelmente divino os houvesse levado até lá. Kira olhava para todos os lados como se não estivesse entendendo nada do que estava acontecendo. Sewire, mesmo impressionado com os feitos de Kira, coloca a mão no queixo, fecha os olhos contemplativo e finalmente descobre o que havia se passado. Warlocks recebem um grande poder de seus patronos em determinado momento da vida e parecia ser esse o caso com a bela feiticeira antípoda. Era o Arkanum! Poder recebido quando finalmente o feiticeiro atingia um nível de consonância com seu patrono.

Sewire: "Muito bem, Kira!"

Wal'Kira: "O que se passou por aqui, Sewire?! Tu fostes o responsável por isto, pois não! Fala, homem!

Sewire: "Você finalmente entendeu seus poderes, Kira. Este é teu Arkanum!

Wal'Kira: "Tudo que pude pensar foi nessas estrelas do céu..... Vamos voltar."

Kira, quando adolescente, olhava as estrelas pulsantes e prateadas da noite de Calimsham quando lá morava e estas são suas melhores memórias. A noite estrelada de Calimport era um espetáculo de encher os olhos. Ela cruzava seus braços atrás da cabeça no telhado da casa do velho Al-Nazer em companhia de sua amiga Anna e as duas observam o mar de estrelas cadentes das areias do deserto. Kira havia desenvolvido o poder do banimento, o que lhe permitia se transportar para qualquer plano, local ou dimensão da existência. A partir de agora, certamente, seus inimigos poderiam tremer.

De volta à sua cama, Kira abre lentamente os olhos em sua cama de palha na choupana nos arredores da Cidadela da Esmeralda. Ao seu lado encontrava-se um calmo e compenetrado Sewire, que lia "Os caminhos da Alquimia, por Dondor Woodel". 

Wal'Kira: "Tudo fora um sonho, Sewire?"

Sewire: "Temo que não, antípoda. Use seu poder com sabedoria, pois, como podes ver, acaba com tua energia perigosamente te levando ao desmaio. Teu corpo ainda é mortal, lembra-te disso." 

Sewire descruza as pernas da cadeira do quarto de Kira onde estivera velando o sono da moça pelas últimas 24 horas e braveja sua fala final; "Tee Hawk foi-se sozinho para Vaera, o reino dos homens. Vamos ajudá-lo."

Dessa forma, depois de uma breve conversa com o velho Lisanthyr e Drusilla, ambos viajam até Vaera em busca do matador de dragões. Ao chegarem até lá, o que enxergam é uma cidade fervilhando como um formigueiro pois, ao que tudo indicava, um festival tomava-se parte. Seria impossível encontrar o selvagem no meio daquela bagunça. Vaera era conhecida por caçar elfos impiedosamente, talvez devido a isso, Kira e Sewire pudessem ter alguma facilidade de achar Tee Hawk. Afinal, Tee Hawk não era um elfo que passaria em branco pelas vistas de alguém. Assim, ambos feiticeira e druida, procuram pelo mercado lotado da cidade seu amigo. O cheiro das ruas era forte, as pessoas riam, conversavam, choravam, gritavam. Mercadores bravateavam, artistas cantavam, velhas senhoras reprovavam jovens senhoras que se insinuavam para os estivadores e leiloeiros vendiam escravos. Assim era o mercado de Vaera, uma cidade tão grande quanto Waterdeep.

Sewire: "Nunca acharemos Tee Hawk nessa bagunça..."

Wal'Kira: "Ânimo, homem. Um elfo brigão daquele jeito não passaria sem deixar rastros. É só seguir o rastro de destruição"

Nesse momento, algo rouba a atenção de Kira e Sewire. Um leiloeiro negociava três elfos seminus, de tangas e amarrados a correntes em seus pescoços, como cachorros sarnentos que alguém agrilhoava no quintal de casa e jogava ossos no final do dia. Seu semblante era de dor e sofrimento. Claramente aqueles escravos foram pegos de Dumebarian, floresta próxima dali e casa atual da Cidadela da Esmeralda. "Venham logo! Este lote está especial! São 15 peças de ouro! São três elfos por apenas 15 peças! Uma Pechincha!". Aquilo revoltava os corações de Kira e Sewire que logo tratam de comprá-los para extinguir suas dores. No entanto, algo interrompe as negociações. Era um homem de olhar faceiro e galanteador, quase como um malandro de porto. Certamente algo que não impressionaria uma mulher inteligente como Wal'Kira. O homem se aproxima e fala: "Deixe que eu pago,  minha senhora. Estes são presente de Yzan, o maior lanista de Vaera"

Yzan: "Vejo que a senhorita é alguém importante e que, claramente, também trabalha com gladiadores"

Wal'Kira: "..."

Yzan: "Esses eu pago por gentileza, milady. Vou mandar meus homens escoltar você e seu criado a minha casa à noite para um jantar. Acho que poderemos fazer excelentes negócios. 

Wal'Kira:" Sim, verei o que posso fazer. O senhor é muito gentil"

Yzan: "Haverá uma luta até a morte depois do jantar apenas para convidados e estarei apresentando meu campeão invicto Kelmaris, o bárbaro. Ele nunca perde. Venha e lá teremos com mais calma. Até a noite então, milady"

O homem deixa os dois e Kira agora possuía três escravos libertos. Sem demora, Sewire e Kira levam os três até um beco para lhes soltar das amarras. Eles lhes dão os nomes de Aias, Olarel e Tysiris. Eles diziam que vinham de Dumebarian e que caçar elfos era normal no reino. Uma rixa muito grande existia entre o monarca dali e os elfos da floresta, o que ocasionou a edição de uma lei que permitia tornar escravo qualquer elfo que em Vaera pisasse. "Minha senhora, obrigado por salvar-nos. Temos uma irmã tambem de nome Yesanith. Ela foi vendida como prostitua no mercado de Dabady. Temos que salvá-la também.". Nesse momento, de surpresa, Sewire e Kira são atacados por um halfling bonachão e um homem com cicatrizes no rosto. Eles tentam roubá-los mas vêem que não seria uma boa ideia ao verem as armas mágicas de ambos. 

Vulmon: "Zaos, segure sua adaga, imbecil!" 

Zaos: "Meu senhor, eles estão com o rabo cheio de moedas! O senhor viu no mercado!

Vulmon: "Eles são poderosos. Olhe as armas mágicas deles, seu tolo ganancioso"

Zaos: "er.... errr...... Passa a grana logo pra cá, gostosona! E Você, menino feio e estranho, passa tudo pra cá logo! hehe!"

Nesse momento, um homem interrompe o diálogo em cima de um dos telhados no beco no qual todos estavam. Parecia ser outro ladrão, aparentemente do mesmo bando de Vulmon. "Você é medroso, Vulmon, o mestre vai adorar saber que você deixou dois ricaços sair de suas vistas sem levar nenhuma moeda deles. Preparem-se, vermes, vão todos morrer! yaaaaaa!". O homem pula do telhado tomado pela coragem e ganância e investe contra Kira e Sewire quando, sem pestanejar, algo intenso acontece. Kira, usando seus poderes mágicos, prende o homem desgraçadamente contra a parede e tudo que se passou depois foi o fedor de sua urina deixando sua calça. Tomado pelo medo, o homem e todos presentes apenas vêem o poder descomunal de Wal'Kira: "Vá-se embora e reze a todos os deuses que não lhe veja mais ou limpar a calça será a menor das suas preocupações"

Dessa forma, tanto Vulmon quanto Zaos começam a repensar sua vida numa fração de segundos...

Vulmon: "Errrr bom, acho que está na hora da gente ir embora. Tchauzinho, princesa linda e poderosa. Desculpe, tá? Tchau Tchau!

Zaos: "Eu só queria dizer que, na verdade, queríamos desejar boa sorte pra vocês, sabe. Olha sua calça tá sujinha aqui, ai meu deus..."

Wal'Kira: "Tire a mão de mim..."

Zaos: "Krina e Bifuz! Raios e relâmpagos! Perdão, minha senhora! ai!"

Sewire: "Queremos saber de um elfo forte, alto e com pinturas de guerra no rosto. Seria difícil alguém assim passar batido por vocês"

Vulmon: "Ah, Sim. Realmente. O tipo era cheio de músculos, certo? Inusitado para um elfo. Nós o vimos da taverna da tartaruga. Ele está se metendo com um bando que não gostamos muito, uma tal de "fraternidade". Não é difícil. Basta seguir a fonte a calçada do rei depois da praça das caravanas e você vai ver uma grande taverna com uma figura de uma tartaruga no seu pórtico. 

Sewire: "Agradecido, senhor Vulmon"

Vulmon e Zaos: "Desculpa qualquer coisa, hein?"

Balançando a cabeça num misto de divertimento pelo espírito bonachão dos dois e pela petulância em achar que poderiam desafiá-los, ambos Kira e Sewire partem para a taverna da tartaruga sem saber o que os estavam esperando. O que terá acontecido a Tee Hawk? Quem era a fraternidade? Onde estão Vulluin e Faifh? 





Sessão 50 - Epílogos (After Crédits)

Kira: Kira se despede dos amigos da Esmeralda e segue para o limbo pois fora amaldiçoada com a vida eterna. A Feiticeira gera uma filha que,...